Cinco coisas que Blumenau e qualquer cidade deveriam copiar da Alemanha já

Eu sempre brinco que Blumenau (e Pomerode junto, claro!) é a cidade mais alemã do planeta. Isso porquê o desejo de manter a cultura trazida pelos imigrantes cria uma missão quase impossível: criar espelhos para um modelo de vida e cultura que se usava na Alemanha do século 19. Isso não é uma crítica: eu acho o esforço valioso. Vou além: deveria ser ainda mais incentivado, com mais recursos para museus, festivais e, especialmente, com o poder público olhando para a história da cidade como parte de seu patrimônio mais precioso.

Mas não basta olhar para o passado, imitar fachadas de casinhas enxaimel, fazer pesquisas de roupas e danças. Se ideia é se parecer com a Alemanha, é preciso ver o que o país se tornou e aprender com as soluções que foram testadas e aprovadas por aqui. Sei que as comitivas de políticos e “técnicos” governamentais adoram uma viagem para a Alemanha. E além de acordos fictícios de cooperações que só rendem papel, essas viagens poderiam focar em copiar (copiar sim, na cara dura!) soluções que beneficiariam todo mundo. Afinal, a cidade tem que ser para as pessoas.

Para facilitar, fiz uma listinha. Pode copiar também.

1 – Despoluição dos rios: O rio Reno era conhecido, na década de 70, como a cloaca da Europa e hoje tem praias onde crianças e adultos nadam nos dias de calor. E não foi o único a passar por esse processo. Faz uns anos alguém fez uma montagem de uma praia ao longo da Beira-Rio, em Blumenau como se isso fosse um sonho. Salgar a água não vai dar, mas recuperar a Prainha – sem uma ponte hedionda passando por ela! – pode ser um bom começo. O projeto não precisa nascer faraônico. O do Reno envolveu vários países. Em Blumenau, é possível começar com o Ribeirão Garcia e o da Velha. Eu lembro com saudade de quando eu era criança e tomávamos banho no ribeirão e nem era preciso ir para os recantos no meio da Nova Rússia. A gente nadava embaixo da Ponte Preta, na entrada da Rui Barbosa. A ideia é inspirar o Vale e despoluir também o Itajaí-Açu. Existem recursos internacionais para projetos sérios dessa natureza e é inaceitável que muito pouco tenha sido feito nesse sentido até agora.

2 – Mais espaços para pedestres no Centro: Uma das coisas que mais gosto de ver são fotos das pessoas caminhando e pedalando pela rua XV de Novembro nos fins de semana. Essa rua tem que ser das pessoas e os comerciantes só terão a lucrar com isso. Em vez de ter dois carros na sua porta, vão ter cinco mesas de pessoas tomando café e namorando suas vitrines. A rua poderia comportar um veículo leve sobre trilhos – o Straβenbahn -, uma “novidade” que na Alemanha está completando 150 anos de serviços.  Fechar a rua e oferecer alternativas de transporte por ela completa exatamente o próximo item.

3 – Centro histórico preservado: O centro histórico é uma das áreas mais charmosas de Blumenau e tem que ser o coração do turismo da cidade. Tenho uma dificuldade imensa de entender porque essa área é vista como um corredor de tráfego pesado e escoamento. O patrimônio cultural não pode ser descaracterizado pela falta de planejamento urbano. Preservar centro histórico da cidade é preservar a própria identidade cultural. É a única coisa que faz com que Blumenau seja especial e não apenas mais uma cidade qualquer no mapa. Na Alemanha, todas as cidades cresceram em volta do seu centro histórico e trabalham duro para manter esses espaços o mais fiel possível: são eles que atraem turistas. São essas praças que nos perdemos de tanto fotografar por aqui. Mas temos um espaço assim em casa e nem olhamos para ele.

Em Erfurt, transportes, restaurantes e pedestres compartilham o centro histórico

4 – Turismo a pé: É só fazer uma pesquisa rápida por “walking tours” para ver que são raras as cidades da Europa que não oferecem o serviço. Os grupos têm hora e ponto de partida agendados e percorrem por duas a três horas os principais pontos turísticos da cidade. Blumenau é perfeita para isso. Pomerode também. Timbó pode ter. O roteiro tem que ser interessante, os pontos bem estudados, os guias capacitados. Os turistas caminham pela cidade, observam os detalhes da nossa arquitetura, aprendem as histórias de cada construção e da própria cidade. O serviço pode (e deve!) ser oferecido também aos estudantes, que passam todos os dias pelo Centro e olham sem ver. A propaganda boca-a-boca, que ganha o mundo pelas redes sociais e plataformas de viagem, atrairia os turistas. Se uma única dessas comitivas tivesse feito um único desses passeios por aqui, não haveria dúvidas de sua validade!

5 – Transporte mapeado: volto a esse ponto como um papagaio que repete, repete, repete. Já escrevi sobre isso e não entendo a dificuldade de ver a coisa implementada: o que cada parada de ônibus precisa é de um nome. E vereador adora dar nome para qualquer coisa: há espaço para centenas de projetos de lei. Ai, esse nome passa a integrar um mapa. E nesse mapa aparecem as linhas que passam por esse ponto. Simples assim. Eu queria mesmo que alguém me contasse porque isso não existe ainda. Vai ver é porque em todas as visitas de estudo todo mundo anda de transporte fretado ou táxi e está mais preocupado em comprar lembrancinhas do que em entender o que faz das cidades europeias um espaço para as pessoas.

Fonte: Fala Alemôa

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